VOCÊ NÃO É AS SUAS EXPERIÊNCIAS
Uma das coisas mais fundamentais de se lembrar - não só por você, mas por todos - é que: O que quer que você encontre em sua jornada interior, não é você. Você é aquele que está testemunhando - pode ser o nada, pode ser o êxtase, pode ser o silêncio. Mas uma coisa tem de ser lembrada - por mais linda e por mais encantadora que seja a experiência que você tenha, ela não é você. Você é aquele que está experienciando, e se você continuar indo adiante, o topo da jornada é o ponto em que não resta mais nenhuma experiência - nem o silêncio, nem o êxtase, nem o nada. Não há nada como um objeto para você, mas apenas sua subjetividade.
O espelho está vazio. Ele não está refletindo nada. Isto é você.
Mesmo os grandes viajantes do mundo interior ficaram presos em lindas experiências e se tornaram identificados com aquelas experiências, pensando: "Eu me encontrei." Elas pararam antes de alcançar o estágio final, onde todas as experiências desaparecem.
A iluminação não é uma experiência. Ela é um estado no qual você é deixado absolutamente só, sem nada para conhecer. Nenhum objeto, por mais lindo que seja, está presente. Somente neste momento, sua consciência, desobstruída de qualquer objeto, dá uma virada e volta à sua fonte.
Isso se torna a realização-de-si-mesmo. Torna-se iluminação.
Preciso recordar-lhes acerca da palavra 'objeto'. Todo objeto significa uma obstrução. O próprio significado da palavra é obstrução, objeção.
Assim, o objeto pode estar fora de você, no mundo material; o objeto pode estar dentro de você, no seu mundo psicológico; os objetos podem estar no seu coração, nas suas sensações, emoções, no seus sentimentos, estados de humor. E os objetos podem estar até mesmo no seu mundo espiritual. E eles são tão extasiantes que a pessoa não pode imaginar que possa haver mais. E muitos místicos do mundo pararam no êxtase. É um espaço lindo, um espaço fantástico, mas eles ainda não chegaram em casa.
Quando você chega a um ponto em que todas as experiências estão ausentes, em que não há nenhum objeto, aí então a consciência, sem nenhuma obstrução, se move em um círculo - na existência, tudo se move em um círculo, se não houver obstrução - ela vem da mesma fonte do seu ser e começa a circular. Não encontrando nenhum objeto - ela retorna., E o próprio sujeito se torna o objeto.
Isto é o que J. Krishnamurti viveu repetindo por toda vida: quando o observador se torna o observado, saiba que você chegou em casa. Antes disso, há milhares de coisas pelo caminho. O corpo oferece suas próprias experiências, que se tornaram conhecidas como as experiências dos centros da kundailni; os sete centros se tornam as sete flores de lótus. Cada uma é maior que a outra, e mais alta, e a fragrância é intoxicante. A mente lhe dá grandes espaços, ilimitados, infinitos. Mas lembre-se da máxima fundamental de que o lar ainda não chegou.
Desfrute a jornada e desfrute todas as cenas que acontecem durante a jornada - as árvores, as montanhas, as flores, os rios, o sol e a lua e as estrelas - mas não se detenha em nenhum lugar, a menos que a sua própria subjetividade se torne o seu próprio objeto. Quando observador é o observado, quando o conhecedor é o conhecido, quando aquele que vê é aquilo que é visto, o lar chegou.
Este lar é o templo verdadeiro pelo qual estivemos buscando durante vidas seguidas, mas nós sempre nos desviamos. Nós ficamos satisfeitos com lindas experiências.
Um buscador corajoso tem de deixar todas essas lindas experiências para trás, e continuar indo adiante. Quando todas as experiências são exauridas e somente ele mesmo permanece na sua solitude... nenhum êxtase é maior do que este, nenhuma bem-aventurança é mais abençoada, nenhuma verdade é mais verdadeira. Você entrou naquilo que eu chamo de divindade, você se tornou um deus.
Um Homem idoso foi procurar seu médico:
"Estou com uns problemas de banheiro" - ele reclamou.
"Bem, vamos ver. Como está sua micção?"
"Toda manhã às sete horas, como um bebê."
"Bom. E o movimento dos intestinos?"
"Às oito horas, todas as manhãs, como um relógio."
"Então, qual é o problema?" - perguntou o médico.
"Eu não acordo antes das nove."
Você está dormindo e está na hora de acordar.
Todas essas experiências são experiências de uma mente adormecida.
A mente acordada não tem absolutamente nenhuma experiência.
Osho
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
RELIGIOSIDADE SEM RELIGIÃO
RELIGIOSIDADE SEM RELIGIÃO
“Querido Osho,
Como pode o mestre ajudar o discípulo a viver a religiosidade sem religião?
Esta é a coisa mais simples do mundo.
O inverso é o mais difícil: é quase impossível ser religioso e fazer parte de uma religião organizada. Mas, apenas ser religioso, sem fazer parte de qualquer religião é a coisa mais simples.
Você tem que entender o que religiosidade significa para mim. Para mim, religiosidade significa uma gratidão para com a existência. Ela lhe deu tanto que não há como você reembolsá-la.
Ouvi contar...
Um homem ia cometer suicídio e um mestre estava sentado à beira do rio onde ele ia se jogar. O mestre disse: ‘Espere um pouco! Espere! Você vai cometer suicídio?’
O homem disse, ‘Quem é você para me impedir?’
O mestre lhe disse, ‘Eu não estou impedindo você. Na verdade, eu gostaria de vê-lo cometendo suicídio, mas antes de fazê-lo, se você puder doar os seus dois olhos, porque o rei deste país ficou cego e os médicos disseram que se alguém puder doar-lhe os olhos, eles poderão ser transplantados e o rei poderá enxergar novamente. Mas tem que ser olhos de uma pessoa viva, não de um morto. E o que você quiser como recompensa, como prêmio, é só dizer e será seu. Assim, antes de suicidar, por que não fazer um pequeno negócio?’
O homem disse, ‘Quanto ele pagará?’ Ele já havia esquecido o suicídio.
As pessoas estão sempre pensando em negócios.
O mestre disse, ‘O quanto você pedir, é só dizer.’
Ele disse, ‘Eu sou um pobre homem, não posso pedir muito. Dê-me uma sugestão. Eu vou cometer suicídio.’
Então o mestre disse, ‘Pense alto. Que tal, vinte mil rúpias?’
O homem disse, ‘Vinte mil rúpias? Meu Deus, eu nunca pensei que poderia ter vinte mil rúpias.’
Mas o mestre disse, ‘Você ainda pode pensar. Eu posso até mesmo dizer ao rei que você precisa de vinte milhões. Tudo depende de você, pois o rei quer os olhos e paga qualquer preço.’
O homem disse, ‘Vinte milhões? Mas então, por que eu deveria cometer suicídio?’
O mestre disse, ‘Isto é com você. Mas, viver uma vida sem os olhos, mesmo tendo vinte milhões de rúpias, não será muito agradável.’
Já estavam a caminho do palácio, quando o homem começou a dizer ao mestre, ‘Eu estou pensando outra coisa.’
Ele disse, ‘Que outra coisa? Você já subiu o seu preço de novo?’
Ele respondeu, ‘O preço não é a questão. Eu estou pensando: só por dois olhos, vinte milhões? E quanto às duas orelhas, o nariz, os dentes, todo o meu corpo? Qual o preço de todo o meu corpo?’
O mestre disse, ‘Você pode calcular, pois se são vinte milhões por apenas dois olhos...’
O homem disse, ‘Eu não vou vender. Eu vou para a minha casa.’ O mestre disse, ‘E quanto ao suicídio?’
Ele disse, ‘Eu pensava que você era um homem religioso. Você é um assassino! Você quer que eu cometa suicídio? Agora que pela primeira vez eu pude reconhecer o que a existência me deu, e eu não tive que pagar nem um tostão. Estes dois olhos que têm visto todo tipo de beleza, estas duas orelhas que têm ouvido todo tipo de música, esta vida que tem experienciado tanta coisa... E eu nada paguei por isto, nem mesmo disse muito obrigado. E o suicídio nada mais é que a última reclamação, a mais feia reclamação contra a existência: ela me deu tanto e eu estou destruindo tudo. Ao invés de estar agradecido, eu estou traindo. Não, eu não posso cometer suicídio e não posso vender os meus olhos, eles não têm preço. Você pode dizer isto ao rei. Nem mesmo por todo o seu reino eu não posso doar os meus olhos, mesmo sendo eu um mendigo.’
Você já percebeu o quanto a existência tem dado a você?
Não, você tem isto como certo, como se você tivesse feito por merecer, como se tivesse sido uma conquista sua.
Você não fez por merecer. Não foi algo que você conquistou. É um presente, é uma bênção, é simplesmente um ato de amor da existência ter-lhe dado tanto. E ela está pronta para lhe dar muito mais. Você é que não está pronto para receber.
A religião o impede de ser religioso. Ela o envia para os mosteiros, para os templos, para as igrejas. Ela ensina você a rezar para um deus hipotético com o qual você nunca encontrou, com o qual ninguém jamais encontrou.
O verdadeiro templo está por toda a sua volta, sob as estrelas, sob a verde folhagem das árvores, ao lado do oceano. O verdadeiro templo está por toda a volta e o verdadeiro deus nada mais é que o fenômeno vivo e consciente dentro de você.
Onde houver vida, onde houver consciência, ali está deus.
E quando você chegar à experiência máxima de consciência, você se torna um deus. É direito natural de todo mundo tornar-se um deus, não adorar Deus, mas tornar-se um deus.
Todas as religiões estão impedindo você. Elas não lhe ensinam a ser sem ambição. Elas lhe ensinam a ambição, como se tornar virtuoso para que consiga alcançar o paraíso. Elas não lhe ensinam a não ter medo. Elas lhe ensinam a ter medo, pois se você não fizer certas coisas, será lançado ao inferno e irá sofrer pela eternidade. Todas as religiões são basicamente uma exploração da humanidade. Elas escravizam você, elas o humilham, elas o chamam de pecador e destroem o seu auto-respeito.
Religiosidade é uma humilde gratidão para com a existência.
E porque a existência tem dado tanto a você, existe um humilde auto-respeito; humilde, não egoísta. Você não se vangloria disto.
Ela ensina-o a amar, a estar mais vivo, a brincar mais, a celebrar mais. A sua vida deve ser uma canção, uma dança e uma festividade.
Qual a necessidade de pertencer a um aglomerado? Todas essas coisas são suas experiências individuais, elas nada têm a ver com qualquer aglomerado. Você não precisa ir a uma igreja, você não precisa adorar um deus, você não precisa adorar um livro que está morto e cheio de toda espécie de tolices, estupidez e superstições.
Religiosidade é um fenômeno absolutamente individual. Ele não é algo relacionado a coletividade, você não vai brigar com alguém... ‘Assim, estejam unidos.’ Os muçulmanos têm que estar unidos contra os hindus; os hindus têm que estar unidos contra os cristãos; os cristãos têm que estar unidos contra os judeus. Estas coisas não são religiões. Elas são multidões insanas que querem praticar violência em nome da religião, em nome de Deus.
Eu tenho visto algumas revoltas e nem posso acreditar... Pessoas muito amáveis, de repente, se tornam como animais.
Eu conheci uma pessoa que era um professor na mesma universidade onde eu lecionava. Eu o tinha como uma das mais amáveis pessoas. Mas ele era muçulmano e quando houve um levante entre muçulmanos e hindus, eu vi aquele professor estuprando uma mulher. Eu não pude acreditar no que vi. Eu arrastei o professor para fora e lhe disse, ‘O que você está fazendo?’ Ele recuperou seus sentidos, como se estivesse fazendo algo num estado de sono.
Ele disse, ‘Sinto muito, perdoe-me. Toda a multidão estava fazendo aquilo e eu simplesmente tornei-me parte da multidão. Eu esqueci a minha individualidade completamente e o animal dentro de mim começou a fazer coisas. Primeiro eu comecei a tremer e pensei - Eu não devo fazer isto, o que eu vou fazer não é certo -. Mas o animal interno é muito forte e está ali há muito tempo. Quando toda a multidão começou a fazer aquilo...’
Eu tenho segurado pessoas queimando templos, queimando mosteiros; pessoas que eu conhecia e eu tive que puxá-las para fora e lhes perguntar ‘O que vocês estão fazendo? Vocês conseguiriam fazer isto se estivessem sozinhas? Se não estivesse ali uma multidão, você conseguiria queimar este mosteiro? O que este mosteiro tem a ver com você? Ele é uma bela peça de arquitetura. Por que você o está destruindo? Ele não faz mal a ninguém.’
E a pessoa diz, ‘Sozinha? Não, sozinha eu não conseguiria fazer isto, mas todo mundo está fazendo. E eu também sou um hindu e os hindus têm que estar unidos.’
Unidos para que? Para matar e queimar pessoas vivas?
Por milhares de anos, as religiões nada mais têm sido senão matar, assassinar e queimar. E toda a estratégia delas é que a multidão tem sua própria psicologia. Simplesmente não deixe que o indivíduo esteja separado, caso contrário você não conseguirá fazer com que ele estupre uma mulher, queime uma casa ou mate uma criança. Basta mantê-lo dentro da multidão e quando todo mundo estiver fazendo alguma coisa ele começará a fazer também, o seu animal saltará para a superfície.
Certa vez eu estava sentado numa livraria e de repente ocorreu um levante. Do outro lado da rua havia uma loja muito bonita cheia de relógios. E as pessoas começaram a tirar os relógios. E um velho homem estava gritando bem alto, ‘Isto não é correto! Se hindus e muçulmanos estão em luta, vocês podem lutar. Mas tirar as coisas das lojas... Eu não vejo nenhuma religião nisto.’
Eu estava na livraria e o ouvia, mas ninguém estava ouvindo o velho homem. Eu conhecia aquele velho homem; nós costumávamos nos encontrar de vez em quando em nossas caminhadas matinais e conversávamos sobre alguns assuntos. Ele era um homem muito bom e tinha uma abordagem muito filosófica a respeito da vida. Ele era muçulmano e era uma multidão de muçulmanos que estava destruindo uma loja de um hindu. Quando terminaram com toda a loja, ficou restando apenas um grande relógio de parede. Ele era muito grande e ninguém quis levá-lo porque seria facilmente visto. Por onde a pessoa fosse, ele seria visto. Ele teria que ser carregado nas costas. Mesmo assim o velho homem pegou o grande relógio.
Eu não pude acreditar naquilo. Eu me aproximei da loja e disse, ‘Espere! O que você está fazendo?’
Ele disse, ‘O que mais eu poderia fazer? Eles tinham levado tudo e somente restou este relógio. Assim, eu disse para mim mesmo, agora, o que fazer? Eles não me ouviram. Eu tentei de tudo para salvar a loja. Mas quando eu vi que todos os relógios já tinham sido levados, de repente um desejo cresceu em mim - O que você está fazendo aqui, de pé, como um tolo? Pegue este que sobrou e leve para casa -. E eu estou indo.’
Eu disse, Você está perfeitamente certo. Você ganhou isto. Você gritou, você fez o que pode. Você não está roubando, eu sou testemunha. Se surgir algum problema, você pode me chamar. Você fez o seu trabalho, o trabalho religioso de ensinar as pessoas. Ninguém ouviu você e o dono da loja fugiu com medo de ser morto. Agora isto é puro ganho. Você, com sua idade avançada, desperdiçou todo o seu dia. Eu posso ajudá-lo?’
Ele disse, ‘Não me faça sentir vergonha. Este relógio é tão grande e minha casa é tão distante.’
Eu disse, ‘Deixe-me ajudá-lo, do contrário você, sendo um muçulmano, pode ser pego por algum hindu. E ninguém acreditará que você comprou este relógio, numa hora desta em que as pessoas estão levando tudo da relojoaria.’
Ele disse, ‘Você está certo. Então faça uma coisa: chame um táxi, se puder. Ele é muito pesado.’
Eu disse, ‘Eu chamarei um táxi.’ Chamei um táxi. Enquanto estávamos em pé na beira da calçada, muitas pessoas se reuniram para ver o que estava acontecendo. Eu disse, ‘Não há problema algum. Ele ganhou o relógio, ele mereceu.’
Ele se sentiu tão envergonhado quando o táxi chegou e disse, ‘Não, isto não é correto. Ponha o relógio de volta, deixe-o no passeio. Alguma outra pessoa irá levá-lo.’
Eu disse, ‘Alguma outra pessoa irá leva-lo, não importa quem seja. Simplesmente sente-se no táxi e leve-o consigo.’
No dia seguinte, quando eu o vi na praça, disse-lhe, ‘Como vai o relógio?’
Ele disse, ‘Eu não consegui dormir por toda a noite. Ele fazia um tick-tack, tick-tack que me lembrava, - Meu Deus, eu roubei este relógio, contrariamente a toda minha filosofia e todos os meus ensinamentos religiosos -. E eu estava advertindo as pessoas. Isto não é um prêmio, isto é uma punição. E minha esposa ficou brava e disse, ‘Você ficou velho, mas na verdade é um idiota. Enquanto as pessoas estavam levando lindos relógios de pulso, você me trouxe esse tick-tack. Você não consegue nem dormir. Jogue ele fora.’ Minha esposa colocou-o na garagem e eu estou pensando de que maneira posso devolvê-lo.’
Eu disse, ‘Esta é uma boa idéia. Eu devo chamar um táxi? Mas, você não deve ir lá devolvê-lo. Eu irei, senão você será pego.’
Assim, eu fui devolver o relógio. E o homem disse, ‘Como você se envolveu nisto?’
Eu disse, ‘Esta é uma longa história. Mas nós pudemos recuperar pelo menos um: este grande relógio. Quanto aos outros, eu sei quem os levou, eu estava observando. Eu posso lhe dar alguns nomes, mas será muito difícil encontrá-los. Este aqui foi levado por um velho homem, mas a sua esposa não conseguiu agüentar esse ‘tick-tack’. Ele próprio viria trazê-lo de volta, mas eu lhe disse, ‘Isto é perigoso, ainda existe uma tensão no ar.’ Assim, apenas aceite-o de volta. Mas quando a tensão se acalmar, lembre-se que aquele velho homem tentou de tudo, mas por fim o animal saltou à superfície e quando ele viu que ninguém o estava ouvindo, ele pensou, ‘Somente eu estou perdendo, todo mundo está ganhando alguma coisa.’ Pura economia apenas.
As religiões nada mais são que psicologia de massas, psicologia de multidão, e as massas ainda estão em seu estado animal. Elas ainda não são seres humanos. Existem seres humanos individuais, mas não existem multidões que sejam humanas. As multidões imediatamente escorregam, retornam e se tornam inconscientes.
Assim, não existe problema para o indivíduo se tornar religioso. Você só precisa entender o que significa religiosidade:
Seja agradecido à existência e curta a bela vida que o circunda.
Ame, porque o amanhã não é certo.
Não adie qualquer coisa bela para amanhã.
Viva intensamente, viva totalmente, aqui e agora.
E não há necessidade alguma de ser um muçulmano ou um hindu. E você descobrirá um tremendo êxtase crescendo. É o seu paraíso.
O paraíso não está em algum lugar, onde quer que seja. O paraíso é um espaço dentro de você.”
OSHO – The Osho Upanishad- Disc. 35 – pergunta n° 2
Tradução: Sw. Bodhi Champak
http://br.groups.yahoo.com/group/luz/message/27059
“Querido Osho,
Como pode o mestre ajudar o discípulo a viver a religiosidade sem religião?
Esta é a coisa mais simples do mundo.
O inverso é o mais difícil: é quase impossível ser religioso e fazer parte de uma religião organizada. Mas, apenas ser religioso, sem fazer parte de qualquer religião é a coisa mais simples.
Você tem que entender o que religiosidade significa para mim. Para mim, religiosidade significa uma gratidão para com a existência. Ela lhe deu tanto que não há como você reembolsá-la.
Ouvi contar...
Um homem ia cometer suicídio e um mestre estava sentado à beira do rio onde ele ia se jogar. O mestre disse: ‘Espere um pouco! Espere! Você vai cometer suicídio?’
O homem disse, ‘Quem é você para me impedir?’
O mestre lhe disse, ‘Eu não estou impedindo você. Na verdade, eu gostaria de vê-lo cometendo suicídio, mas antes de fazê-lo, se você puder doar os seus dois olhos, porque o rei deste país ficou cego e os médicos disseram que se alguém puder doar-lhe os olhos, eles poderão ser transplantados e o rei poderá enxergar novamente. Mas tem que ser olhos de uma pessoa viva, não de um morto. E o que você quiser como recompensa, como prêmio, é só dizer e será seu. Assim, antes de suicidar, por que não fazer um pequeno negócio?’
O homem disse, ‘Quanto ele pagará?’ Ele já havia esquecido o suicídio.
As pessoas estão sempre pensando em negócios.
O mestre disse, ‘O quanto você pedir, é só dizer.’
Ele disse, ‘Eu sou um pobre homem, não posso pedir muito. Dê-me uma sugestão. Eu vou cometer suicídio.’
Então o mestre disse, ‘Pense alto. Que tal, vinte mil rúpias?’
O homem disse, ‘Vinte mil rúpias? Meu Deus, eu nunca pensei que poderia ter vinte mil rúpias.’
Mas o mestre disse, ‘Você ainda pode pensar. Eu posso até mesmo dizer ao rei que você precisa de vinte milhões. Tudo depende de você, pois o rei quer os olhos e paga qualquer preço.’
O homem disse, ‘Vinte milhões? Mas então, por que eu deveria cometer suicídio?’
O mestre disse, ‘Isto é com você. Mas, viver uma vida sem os olhos, mesmo tendo vinte milhões de rúpias, não será muito agradável.’
Já estavam a caminho do palácio, quando o homem começou a dizer ao mestre, ‘Eu estou pensando outra coisa.’
Ele disse, ‘Que outra coisa? Você já subiu o seu preço de novo?’
Ele respondeu, ‘O preço não é a questão. Eu estou pensando: só por dois olhos, vinte milhões? E quanto às duas orelhas, o nariz, os dentes, todo o meu corpo? Qual o preço de todo o meu corpo?’
O mestre disse, ‘Você pode calcular, pois se são vinte milhões por apenas dois olhos...’
O homem disse, ‘Eu não vou vender. Eu vou para a minha casa.’ O mestre disse, ‘E quanto ao suicídio?’
Ele disse, ‘Eu pensava que você era um homem religioso. Você é um assassino! Você quer que eu cometa suicídio? Agora que pela primeira vez eu pude reconhecer o que a existência me deu, e eu não tive que pagar nem um tostão. Estes dois olhos que têm visto todo tipo de beleza, estas duas orelhas que têm ouvido todo tipo de música, esta vida que tem experienciado tanta coisa... E eu nada paguei por isto, nem mesmo disse muito obrigado. E o suicídio nada mais é que a última reclamação, a mais feia reclamação contra a existência: ela me deu tanto e eu estou destruindo tudo. Ao invés de estar agradecido, eu estou traindo. Não, eu não posso cometer suicídio e não posso vender os meus olhos, eles não têm preço. Você pode dizer isto ao rei. Nem mesmo por todo o seu reino eu não posso doar os meus olhos, mesmo sendo eu um mendigo.’
Você já percebeu o quanto a existência tem dado a você?
Não, você tem isto como certo, como se você tivesse feito por merecer, como se tivesse sido uma conquista sua.
Você não fez por merecer. Não foi algo que você conquistou. É um presente, é uma bênção, é simplesmente um ato de amor da existência ter-lhe dado tanto. E ela está pronta para lhe dar muito mais. Você é que não está pronto para receber.
A religião o impede de ser religioso. Ela o envia para os mosteiros, para os templos, para as igrejas. Ela ensina você a rezar para um deus hipotético com o qual você nunca encontrou, com o qual ninguém jamais encontrou.
O verdadeiro templo está por toda a sua volta, sob as estrelas, sob a verde folhagem das árvores, ao lado do oceano. O verdadeiro templo está por toda a volta e o verdadeiro deus nada mais é que o fenômeno vivo e consciente dentro de você.
Onde houver vida, onde houver consciência, ali está deus.
E quando você chegar à experiência máxima de consciência, você se torna um deus. É direito natural de todo mundo tornar-se um deus, não adorar Deus, mas tornar-se um deus.
Todas as religiões estão impedindo você. Elas não lhe ensinam a ser sem ambição. Elas lhe ensinam a ambição, como se tornar virtuoso para que consiga alcançar o paraíso. Elas não lhe ensinam a não ter medo. Elas lhe ensinam a ter medo, pois se você não fizer certas coisas, será lançado ao inferno e irá sofrer pela eternidade. Todas as religiões são basicamente uma exploração da humanidade. Elas escravizam você, elas o humilham, elas o chamam de pecador e destroem o seu auto-respeito.
Religiosidade é uma humilde gratidão para com a existência.
E porque a existência tem dado tanto a você, existe um humilde auto-respeito; humilde, não egoísta. Você não se vangloria disto.
Ela ensina-o a amar, a estar mais vivo, a brincar mais, a celebrar mais. A sua vida deve ser uma canção, uma dança e uma festividade.
Qual a necessidade de pertencer a um aglomerado? Todas essas coisas são suas experiências individuais, elas nada têm a ver com qualquer aglomerado. Você não precisa ir a uma igreja, você não precisa adorar um deus, você não precisa adorar um livro que está morto e cheio de toda espécie de tolices, estupidez e superstições.
Religiosidade é um fenômeno absolutamente individual. Ele não é algo relacionado a coletividade, você não vai brigar com alguém... ‘Assim, estejam unidos.’ Os muçulmanos têm que estar unidos contra os hindus; os hindus têm que estar unidos contra os cristãos; os cristãos têm que estar unidos contra os judeus. Estas coisas não são religiões. Elas são multidões insanas que querem praticar violência em nome da religião, em nome de Deus.
Eu tenho visto algumas revoltas e nem posso acreditar... Pessoas muito amáveis, de repente, se tornam como animais.
Eu conheci uma pessoa que era um professor na mesma universidade onde eu lecionava. Eu o tinha como uma das mais amáveis pessoas. Mas ele era muçulmano e quando houve um levante entre muçulmanos e hindus, eu vi aquele professor estuprando uma mulher. Eu não pude acreditar no que vi. Eu arrastei o professor para fora e lhe disse, ‘O que você está fazendo?’ Ele recuperou seus sentidos, como se estivesse fazendo algo num estado de sono.
Ele disse, ‘Sinto muito, perdoe-me. Toda a multidão estava fazendo aquilo e eu simplesmente tornei-me parte da multidão. Eu esqueci a minha individualidade completamente e o animal dentro de mim começou a fazer coisas. Primeiro eu comecei a tremer e pensei - Eu não devo fazer isto, o que eu vou fazer não é certo -. Mas o animal interno é muito forte e está ali há muito tempo. Quando toda a multidão começou a fazer aquilo...’
Eu tenho segurado pessoas queimando templos, queimando mosteiros; pessoas que eu conhecia e eu tive que puxá-las para fora e lhes perguntar ‘O que vocês estão fazendo? Vocês conseguiriam fazer isto se estivessem sozinhas? Se não estivesse ali uma multidão, você conseguiria queimar este mosteiro? O que este mosteiro tem a ver com você? Ele é uma bela peça de arquitetura. Por que você o está destruindo? Ele não faz mal a ninguém.’
E a pessoa diz, ‘Sozinha? Não, sozinha eu não conseguiria fazer isto, mas todo mundo está fazendo. E eu também sou um hindu e os hindus têm que estar unidos.’
Unidos para que? Para matar e queimar pessoas vivas?
Por milhares de anos, as religiões nada mais têm sido senão matar, assassinar e queimar. E toda a estratégia delas é que a multidão tem sua própria psicologia. Simplesmente não deixe que o indivíduo esteja separado, caso contrário você não conseguirá fazer com que ele estupre uma mulher, queime uma casa ou mate uma criança. Basta mantê-lo dentro da multidão e quando todo mundo estiver fazendo alguma coisa ele começará a fazer também, o seu animal saltará para a superfície.
Certa vez eu estava sentado numa livraria e de repente ocorreu um levante. Do outro lado da rua havia uma loja muito bonita cheia de relógios. E as pessoas começaram a tirar os relógios. E um velho homem estava gritando bem alto, ‘Isto não é correto! Se hindus e muçulmanos estão em luta, vocês podem lutar. Mas tirar as coisas das lojas... Eu não vejo nenhuma religião nisto.’
Eu estava na livraria e o ouvia, mas ninguém estava ouvindo o velho homem. Eu conhecia aquele velho homem; nós costumávamos nos encontrar de vez em quando em nossas caminhadas matinais e conversávamos sobre alguns assuntos. Ele era um homem muito bom e tinha uma abordagem muito filosófica a respeito da vida. Ele era muçulmano e era uma multidão de muçulmanos que estava destruindo uma loja de um hindu. Quando terminaram com toda a loja, ficou restando apenas um grande relógio de parede. Ele era muito grande e ninguém quis levá-lo porque seria facilmente visto. Por onde a pessoa fosse, ele seria visto. Ele teria que ser carregado nas costas. Mesmo assim o velho homem pegou o grande relógio.
Eu não pude acreditar naquilo. Eu me aproximei da loja e disse, ‘Espere! O que você está fazendo?’
Ele disse, ‘O que mais eu poderia fazer? Eles tinham levado tudo e somente restou este relógio. Assim, eu disse para mim mesmo, agora, o que fazer? Eles não me ouviram. Eu tentei de tudo para salvar a loja. Mas quando eu vi que todos os relógios já tinham sido levados, de repente um desejo cresceu em mim - O que você está fazendo aqui, de pé, como um tolo? Pegue este que sobrou e leve para casa -. E eu estou indo.’
Eu disse, Você está perfeitamente certo. Você ganhou isto. Você gritou, você fez o que pode. Você não está roubando, eu sou testemunha. Se surgir algum problema, você pode me chamar. Você fez o seu trabalho, o trabalho religioso de ensinar as pessoas. Ninguém ouviu você e o dono da loja fugiu com medo de ser morto. Agora isto é puro ganho. Você, com sua idade avançada, desperdiçou todo o seu dia. Eu posso ajudá-lo?’
Ele disse, ‘Não me faça sentir vergonha. Este relógio é tão grande e minha casa é tão distante.’
Eu disse, ‘Deixe-me ajudá-lo, do contrário você, sendo um muçulmano, pode ser pego por algum hindu. E ninguém acreditará que você comprou este relógio, numa hora desta em que as pessoas estão levando tudo da relojoaria.’
Ele disse, ‘Você está certo. Então faça uma coisa: chame um táxi, se puder. Ele é muito pesado.’
Eu disse, ‘Eu chamarei um táxi.’ Chamei um táxi. Enquanto estávamos em pé na beira da calçada, muitas pessoas se reuniram para ver o que estava acontecendo. Eu disse, ‘Não há problema algum. Ele ganhou o relógio, ele mereceu.’
Ele se sentiu tão envergonhado quando o táxi chegou e disse, ‘Não, isto não é correto. Ponha o relógio de volta, deixe-o no passeio. Alguma outra pessoa irá levá-lo.’
Eu disse, ‘Alguma outra pessoa irá leva-lo, não importa quem seja. Simplesmente sente-se no táxi e leve-o consigo.’
No dia seguinte, quando eu o vi na praça, disse-lhe, ‘Como vai o relógio?’
Ele disse, ‘Eu não consegui dormir por toda a noite. Ele fazia um tick-tack, tick-tack que me lembrava, - Meu Deus, eu roubei este relógio, contrariamente a toda minha filosofia e todos os meus ensinamentos religiosos -. E eu estava advertindo as pessoas. Isto não é um prêmio, isto é uma punição. E minha esposa ficou brava e disse, ‘Você ficou velho, mas na verdade é um idiota. Enquanto as pessoas estavam levando lindos relógios de pulso, você me trouxe esse tick-tack. Você não consegue nem dormir. Jogue ele fora.’ Minha esposa colocou-o na garagem e eu estou pensando de que maneira posso devolvê-lo.’
Eu disse, ‘Esta é uma boa idéia. Eu devo chamar um táxi? Mas, você não deve ir lá devolvê-lo. Eu irei, senão você será pego.’
Assim, eu fui devolver o relógio. E o homem disse, ‘Como você se envolveu nisto?’
Eu disse, ‘Esta é uma longa história. Mas nós pudemos recuperar pelo menos um: este grande relógio. Quanto aos outros, eu sei quem os levou, eu estava observando. Eu posso lhe dar alguns nomes, mas será muito difícil encontrá-los. Este aqui foi levado por um velho homem, mas a sua esposa não conseguiu agüentar esse ‘tick-tack’. Ele próprio viria trazê-lo de volta, mas eu lhe disse, ‘Isto é perigoso, ainda existe uma tensão no ar.’ Assim, apenas aceite-o de volta. Mas quando a tensão se acalmar, lembre-se que aquele velho homem tentou de tudo, mas por fim o animal saltou à superfície e quando ele viu que ninguém o estava ouvindo, ele pensou, ‘Somente eu estou perdendo, todo mundo está ganhando alguma coisa.’ Pura economia apenas.
As religiões nada mais são que psicologia de massas, psicologia de multidão, e as massas ainda estão em seu estado animal. Elas ainda não são seres humanos. Existem seres humanos individuais, mas não existem multidões que sejam humanas. As multidões imediatamente escorregam, retornam e se tornam inconscientes.
Assim, não existe problema para o indivíduo se tornar religioso. Você só precisa entender o que significa religiosidade:
Seja agradecido à existência e curta a bela vida que o circunda.
Ame, porque o amanhã não é certo.
Não adie qualquer coisa bela para amanhã.
Viva intensamente, viva totalmente, aqui e agora.
E não há necessidade alguma de ser um muçulmano ou um hindu. E você descobrirá um tremendo êxtase crescendo. É o seu paraíso.
O paraíso não está em algum lugar, onde quer que seja. O paraíso é um espaço dentro de você.”
OSHO – The Osho Upanishad- Disc. 35 – pergunta n° 2
Tradução: Sw. Bodhi Champak
http://br.groups.yahoo.com/group/luz/message/27059
DEBATE POR UM ALOJAMENTO
DEBATE POR UM ALOJAMENTO
Em alguns templos Zen japoneses, existe uma antiga tradição: se um monge errante consegue vencer um dos monges residentes num debate sobre budismo, poderá pernoitar no templo. Caso contrário, terá que ir embora.
Todos os debates são fúteis e estúpidos. O próprio debater é uma idiotice, porque ninguém pode atingir a Verdade pela discussão e o debate. Você pode conseguir no máximo, abrigo por uma noite; mas isso é tudo. Vem dai a tradição.
A tradição é bela. Por muitos séculos, em qualquer mosteiro Zen do Japão, se você pedisse abrigo, antes teria que debater. Se você vencesse o debate, poderia permanecer por uma noite. Isto é muito simbólico: poderia ficar, mas apenas por uma noite. Pela manhã, teria que ir embora. Isto indica que, pelo debate, pela lógica, pelo raciocínio, você nunca consegue alcançar a meta; consegue no máximo, abrigo por uma noite. E não se iluda pensando qua a noite de abrigo é a meta. Pela manhã, será preciso caminhar outra vez.
Mas muito têm-se iludido. A lógica pode conduzi-lo para algo que está próximo da verdade, mas nunca à verdade.
Lembre-se: o que está próximo da verdade também é mentira. O que isto significa? Ou uma coisa é verdadeira ou não é; não existe meio termo. Ou algo é verdadeiro ou não é. É impossível dizer que é meio verdadeiro. É como dizer meio-círculo. O meio-círculo não existe porque a própria palavra "círculo" significa completo. Se for "meio" não será um círculo. Meias-verdades não existem. A verdade é total.
A tradição é bela. Mas preciso que você entenda uma coisa a seu respeito e sobre seu significado. ela é simbólica. Um segundo ponto a ser entendido: todas as discussões são tolas porque provocam um clima no qual qualquer entendimento entre duas pessoas se torna impossível; no qual qualquer coisa é sempre mal-interpretada. Debater é um ato de violência. Através dele, a verdade pode ser assassinada, mas não ressuscitada. O debate é sempre violento. Nele, sua própria atitude é violenta. Na realidade, você não está em busca da verdade, está em busca da vitória. Quando a vitória é a meta, a verdade é sacrificada. Quando a verdade é a meta, você pode sacrificar a vitória.
Apenas a verdade pode ser a meta; a vitória não. Quando a vitória é a meta, você se torna um político, não um homem religioso. Você fica agressivo, fica tentando vencer o outro. A verdade não pode ser uma vitória quando essa vitória significa derrotar alguém. A verdade traz humildade, modéstia. Não é uma "viagem" de ego como são todos os debates. O debate nunca conduz ao real; sempre caminha para o ilusório, para o não-verdadeiro porque a própria sensação de vitória é tão estúpida!
Verdade significa: nem "você" nem "eu". Na discussão, ou você vence ou eu venço; a verdade nunca é a vencedora.
Como você pode entender o outro se está contra ele? O entendimento é impossível. O entendimento necessita de simpatia, de participação. Entender significa ouvir o outro totalmente: apenas desse modo acontece o florescimento. Ao discutir, debater, argumentar, racionalizar, você não ouve o outro. Apenas finge ouvir e, interiormente, fica se preparando. Por dentro, você está sempre se preparando para a tacada seguinte, pronto para rebater quando o outro parar. Você fica se preparando para refutar. Não ouve. fica tramando como irá refutar o outro.
Na discussão, no debate, a verdade não é significativa. Por isso, num debate, a comunicação nunca acontece; é impossível atingir a comunhão. Você pode argumentar e quanto mais argumentar mais se separará do outro. Quanto mais argumentar, maior será a brecha - torna-se um abismo. Nenhum encontro poderá acontecer. É por isso que os filósofos nunca se encontram. O mesmo acontece com os eruditos. Eles são grandes polemistas - o abismo existe. Eles não podem se encontrar. É impossível.
Apenas os amantes se encontram, mas amantes não debatem, comunicam-se. Quando você argumenta a brecha se alarga. Se você estiver argumentando, não poderá haver uma ponte sobre o abismo. Verdade significa não argumentar.
Certa vez, Mulla Nasrudin foi ao médico - os médicos aprenderam o mesmo truque dos padres. Eles escrevem em latim, em grego ou então escrevem de tal modo que mesmo eles, se tiverem de ler o que escreveram, acharão difícil. Ninguém pode entender o que eles escrevem. Assim, Mulla Nasrudin foi ao médico e disse: "ouça, seja franco. Diaga-me apenas os fatos. Não use latim ou grego". O médico disse: "Se você insiste e se me permite ser franco, você não está doente de jeito nenhum. Você está apenas com preguiça".
Nasrudin disse: "Está bem, obrigado. Agora escreva isto em grego ou latim para que eu possa mostrar para a minha família".
As pessoas astutas sempre exploram as pessoas comuns. É por isso que Buda, Jesus e Mahavir nunca foram respeitados pelos brâmanes, pelos erudito, pelas pessoas astutas, porque são elementos destrutivos, destroem todo o negócio deles. Se o povo entender, então não haverá nenhuma necessidade dos sacerdotes. Por que? porque o sacerdote é o mediador. Ele entende a língua de Deus e a sua também. Traduz a sua língua para a de Deus. É por isso que eles dizem que o sânscrito é "dev-bhasa" (a língua de Deus). "Você não sabe sânscrito? - Eu sei, então serei o intermediário, serei o intérprete. Você me diz o que quer e eu direi isso em sânscrito a Deus, porque Ele só entende sânscrito". E, é claro, você tem que pagar por isso.
Nem Água, Nem Lua - Osho
http://br.groups.yahoo.com/group/luz/message/27055
Em alguns templos Zen japoneses, existe uma antiga tradição: se um monge errante consegue vencer um dos monges residentes num debate sobre budismo, poderá pernoitar no templo. Caso contrário, terá que ir embora.
Todos os debates são fúteis e estúpidos. O próprio debater é uma idiotice, porque ninguém pode atingir a Verdade pela discussão e o debate. Você pode conseguir no máximo, abrigo por uma noite; mas isso é tudo. Vem dai a tradição.
A tradição é bela. Por muitos séculos, em qualquer mosteiro Zen do Japão, se você pedisse abrigo, antes teria que debater. Se você vencesse o debate, poderia permanecer por uma noite. Isto é muito simbólico: poderia ficar, mas apenas por uma noite. Pela manhã, teria que ir embora. Isto indica que, pelo debate, pela lógica, pelo raciocínio, você nunca consegue alcançar a meta; consegue no máximo, abrigo por uma noite. E não se iluda pensando qua a noite de abrigo é a meta. Pela manhã, será preciso caminhar outra vez.
Mas muito têm-se iludido. A lógica pode conduzi-lo para algo que está próximo da verdade, mas nunca à verdade.
Lembre-se: o que está próximo da verdade também é mentira. O que isto significa? Ou uma coisa é verdadeira ou não é; não existe meio termo. Ou algo é verdadeiro ou não é. É impossível dizer que é meio verdadeiro. É como dizer meio-círculo. O meio-círculo não existe porque a própria palavra "círculo" significa completo. Se for "meio" não será um círculo. Meias-verdades não existem. A verdade é total.
A tradição é bela. Mas preciso que você entenda uma coisa a seu respeito e sobre seu significado. ela é simbólica. Um segundo ponto a ser entendido: todas as discussões são tolas porque provocam um clima no qual qualquer entendimento entre duas pessoas se torna impossível; no qual qualquer coisa é sempre mal-interpretada. Debater é um ato de violência. Através dele, a verdade pode ser assassinada, mas não ressuscitada. O debate é sempre violento. Nele, sua própria atitude é violenta. Na realidade, você não está em busca da verdade, está em busca da vitória. Quando a vitória é a meta, a verdade é sacrificada. Quando a verdade é a meta, você pode sacrificar a vitória.
Apenas a verdade pode ser a meta; a vitória não. Quando a vitória é a meta, você se torna um político, não um homem religioso. Você fica agressivo, fica tentando vencer o outro. A verdade não pode ser uma vitória quando essa vitória significa derrotar alguém. A verdade traz humildade, modéstia. Não é uma "viagem" de ego como são todos os debates. O debate nunca conduz ao real; sempre caminha para o ilusório, para o não-verdadeiro porque a própria sensação de vitória é tão estúpida!
Verdade significa: nem "você" nem "eu". Na discussão, ou você vence ou eu venço; a verdade nunca é a vencedora.
Como você pode entender o outro se está contra ele? O entendimento é impossível. O entendimento necessita de simpatia, de participação. Entender significa ouvir o outro totalmente: apenas desse modo acontece o florescimento. Ao discutir, debater, argumentar, racionalizar, você não ouve o outro. Apenas finge ouvir e, interiormente, fica se preparando. Por dentro, você está sempre se preparando para a tacada seguinte, pronto para rebater quando o outro parar. Você fica se preparando para refutar. Não ouve. fica tramando como irá refutar o outro.
Na discussão, no debate, a verdade não é significativa. Por isso, num debate, a comunicação nunca acontece; é impossível atingir a comunhão. Você pode argumentar e quanto mais argumentar mais se separará do outro. Quanto mais argumentar, maior será a brecha - torna-se um abismo. Nenhum encontro poderá acontecer. É por isso que os filósofos nunca se encontram. O mesmo acontece com os eruditos. Eles são grandes polemistas - o abismo existe. Eles não podem se encontrar. É impossível.
Apenas os amantes se encontram, mas amantes não debatem, comunicam-se. Quando você argumenta a brecha se alarga. Se você estiver argumentando, não poderá haver uma ponte sobre o abismo. Verdade significa não argumentar.
Certa vez, Mulla Nasrudin foi ao médico - os médicos aprenderam o mesmo truque dos padres. Eles escrevem em latim, em grego ou então escrevem de tal modo que mesmo eles, se tiverem de ler o que escreveram, acharão difícil. Ninguém pode entender o que eles escrevem. Assim, Mulla Nasrudin foi ao médico e disse: "ouça, seja franco. Diaga-me apenas os fatos. Não use latim ou grego". O médico disse: "Se você insiste e se me permite ser franco, você não está doente de jeito nenhum. Você está apenas com preguiça".
Nasrudin disse: "Está bem, obrigado. Agora escreva isto em grego ou latim para que eu possa mostrar para a minha família".
As pessoas astutas sempre exploram as pessoas comuns. É por isso que Buda, Jesus e Mahavir nunca foram respeitados pelos brâmanes, pelos erudito, pelas pessoas astutas, porque são elementos destrutivos, destroem todo o negócio deles. Se o povo entender, então não haverá nenhuma necessidade dos sacerdotes. Por que? porque o sacerdote é o mediador. Ele entende a língua de Deus e a sua também. Traduz a sua língua para a de Deus. É por isso que eles dizem que o sânscrito é "dev-bhasa" (a língua de Deus). "Você não sabe sânscrito? - Eu sei, então serei o intermediário, serei o intérprete. Você me diz o que quer e eu direi isso em sânscrito a Deus, porque Ele só entende sânscrito". E, é claro, você tem que pagar por isso.
Nem Água, Nem Lua - Osho
http://br.groups.yahoo.com/group/luz/message/27055
Existe solução? -osho
Existe solução?
O texto a seguir é um trecho de uma entrevista do Osho a Howard Sattler,
apresentador de rádio australiano. O texto completo está publicado em The Last Testament, volume 1.
P: Você sugeriu que talvez possa ser um homem louco. Eu não acho que você seja louco de maneira alguma mas existem loucos ao redor do mundo que são líderes religiosos e eu lhe pediria que comentasse sobre alguns deles...
Osho: Eu lhe disse que posso ser um homem louco e isso é possível apenas se não estou louco. Posso curtir o ser louco mas não sou louco. Essa é a razão porque posso curtir. O louco se tornou identificado com a sua loucura. Uma coisa é absolutamente certa sobre todo louco: ele jamais vai aceitar que está louco. Os líderes religiosos são as pessoas mais loucas, fanáticas, e apenas por serem loucas, fanáticas, juntam ao seu redor todos os tipos de idiotas.
P: Nações inteiras às vezes...
Osho: Sim... porque a maioria dos seres humanos são retardados.
Cientificamente, a idade mental de um ser humano está abaixo dos 13 anos.
Agora, se a sua idade mental for 13, você pode ter 70 anos de idade mas pode ser explorado, pode ser condicionado por qualquer bobagem. Você pode ser forçado a ter medo do inferno, do qual não existe nenhuma evidência. Você pode ser motivado. A sua ambição pode ser instigada para obter o céu, do qual não existe nenhuma evidência. Você pode ser condicionado a orar para um Deus que é a maior mentira do mundo.
E a surpresa das surpresas é que até mesmo nas suas supremas cortes, onde
existem os melhores juízes, a nata, tem de ser feito um juramento em nome de
Deus. O juramento é verdadeiro em nome da maior mentira! Nenhum daqueles juízes já viu Deus, nenhum daqueles juízes tem qualquer idéia do que seja Deus. Mas está sendo usado. A maioria da humanidade é tão medíocre que pode seguir qualquer louco. O louco apenas tem de ser um pouco metodológico e os loucos religiosos são muito metodológicos. Não existe contradição em ser metodológico.
A metodologia não precisa de inteligência. Agora, qual é a metodologia de
Jesus? - "Eu sou o filho unigênito de Deus." E as pessoas medíocres irão
acreditar nisso porque não acreditar nisso é ir para o inferno e sofrer pela
eternidade. Ninguém quer sofrer pela eternidade. Como é agora, a pessoa já está sofrendo o suficiente - ela quer algum alívio! Mesmo se o alívio vier após a morte, a pessoa quer viver em paz e contente, sem passar fome, sem doença, sem velhice, sem feiúra. Naturalmente, uma metodologia simples - "Eu sou o filho unigênito de Deus, eu posso salvá-lo, eu vim para salvar o mundo todo, aqueles que acreditarem em mim, escolherei para o paraíso, e aqueles que não acreditam em mim vão cair na escuridão abissal do inferno." - uma metodologia muito simples. E os sofredores, os pobres, os famintos, os não educados, os oprimidos, explorados estão prontos para se apegar em qualquer esperança.
P: Por quê?
Osho: Porque não existe nada na vida deles. É tão vazia que, se não existe
esperança para eles, cometerão suicídio. Então, não existe outro caminho. Por
que eles deveriam continuar em frente, se arrastando nas suas vidas vazias?
Apenas para sofrer? Apenas para apanhar, apenas para serem esmagados embaixo das botas das pessoas que estão no poder? A esperança ajuda.
E essa é a metodologia de todas as religiões: dê esperança às pessoas. Mas a
estratégia é muito esperta: mantenha a esperança para além da morte - porque eles sabem perfeitamente bem que a esperança não pode ser preenchida nesta vida senão, então, essas mesmas pessoas que são os seguidores deles os matarão!
Então, mantenha a esperança além da morte. Você nunca pode ser pego. Ninguém volta da morte para dizer que essas pessoas estão mentindo. Assim, elas continuam a mentir e quanto mais uma mentira for repetida, dia após dia, ano após ano, século após século, por milhares de anos... ela quase começa a soar como verdade.
P: Então o Papa é uma fraude?
Osho: Certamente. Absolutamente. Todas as religiões até agora tem sido fraudes.
Elas enganaram as pessoas e por causa disso a humanidade continua a sofrer. Do contrário, nós temos inteligência o suficiente. Se podemos chegar na Lua, você acha que não poderíamos ter alimento suficiente para a humanidade?
P: Talvez estejamos gastando dinheiro demais para alcançar a Lua.
Osho: Isso também é uma tolice. Se você não pode alimentar as pessoas aqui, o que fará na Lua? 75% do orçamento de todas as nações, mesmo das nações pobres, está indo para a construção da guerra por vir. Todo mundo está se aprontando.
P: Ela vai acontecer?
Osho: Se todas estas pessoas estão se aprontando e ficando excitadas sobre
isso, qualquer tolo pode começá-la. O meu esforço é para que ela não aconteça mas a única maneira de prevenir é tornar os seres humanos mais alertas, para que não possam ser explorados por padres e políticos. E isso é o que estou fazendo. Naturalmente, os políticos são contra mim - todos os tipos de políticos. É um milagre: o capitalista é contra mim, o socialista é contra mim, o comunista é contra mim, o fascista é contra mim. É simplesmente um milagre.
P: Mas você é um capitalista aqui, tomando conta de uma comuna.
Osho: Eu não sou capitalista. Uso o capital como um servo. Não é minha
ideologia política. Quero que as pessoas vivam ricamente de todas as maneiras
possíveis. O luxo deveria estar disponível para todos. Eu não quero que as
pessoas se tornem igualmente pobres e chamar isso de comunismo. Eu quero que as pessoas se tornem igualmente ricas e, então, seja lá o nome que você queira dar a isso, pode dar. Os nomes não importam.
P: Esse é o tipo de riqueza disponível para pessoas da, digamos, Índia, o tipo
de pessoas que a Madre Teresa tenta ajudar?
Osho: Essas pessoas como a Madre Teresa, que têm ajudado os pobres por séculos, são, na realidade, a causa da continuidade da pobreza. O pobre não pode ser ajudado da maneira que Madre Teresa está ajudando. Isso não é ajuda. Issoé política porque todos aqueles órfãos que ela ajuda são convertidos em católicos. De fato, a Madre Teresa estaria desempregada se não houvessem órfãos na Índia. Ela precisa de mais órfãos. Essa é a razão pela qual todos eles são contra o controle de natalidade, contra o aborto. Do contrário, de onde você obterá os órfãos? Eles precisam de pessoas pobres porque, sem os pobres, a quem você irá servir? E sem o servir você não pode alcançar o céu. Isso é uma simples estratégia para alcançar o céu.
Agora, imagine um mundo onde ninguém precisa do serviço de ninguém; todos estão felizes, saudáveis, confortáveis, luxuriantes. O que acontecerá aos grandes servidores e santos cristãos? Eles simplesmente estarão desempregados. Eles precisam da pobreza para continuar. Essa é a própria fonte para se tornarem santos, mais sagrados do que você.
Eu não digo ao meu povo, "Vão e sirvam o pobres." Serviço, para mim, não é uma palavra bonita.
Eu digo ao meu povo, "Se vocês tem alguma coisa, compartilhem. Mas lembrem-se de uma coisa: não existe recompensa além disso. Compartilhem, aproveitem - essaé a recompensa. Se você puxa alguém que está se afogando num poço, isso é uma grande alegria. Que recompensa mais você quer? Você salvou uma vida; deveria estar imensamente feliz. A recompensa está no próprio ato e a punição está no próprio ato também. Elas não são extrínsecas, são intrínsecas."
Mas todas estas religiões têm dito às pessoas que a recompensa está distante, em algum lugar - além da morte, e a punição também. Isso não pode ser provado nem pode ser negado; por isso o negócio deles continua sempre em frente e as pessoas medíocres continuam seguindo isso. Se todas essas religiões desaparecessem, duas coisas seriam possíveis: ou os pobres iriam morrer por causa da pobreza... A Etiópia desapareceria. E então? - é melhor a Etiópia desaparecer do que milhares de pessoas ficarem morrendo de fome. E, com a fome, você não morre num dia; um homem pode viver três meses com fome. Ele se tornará apenas um esqueleto e qual é o ponto destes três meses de tortura?
Então, existem duas alternativas se todos estes grandes servidores do povo não interferirem. Ou países como Etiópia, Índia e outros países pobres
desaparecem... Deixe-os desaparecer. Essa Terra não pode lidar com tantas
pessoas.
P: O que você diria para milhões de australianos que doaram comida para etíopes que estão morrendo de fome, morrendo com a guerra?
Osho: Isso não ajuda. Simplesmente vai salvar uns poucos etíopes que irão
produzir mais etíopes.
P: Deveríamos parar de ajudar a Etiópia?
Osho: Deveriam parar completamente porque o mundo precisa de apenas um quarto da população que tem agora. Somente então as pessoas poderão estar em paz, vivendo confortavelmente, alegremente. Não existe necessidade. Qual é a razão?
Tenho estado na Índia por 50 anos e por 50 anos tenho ensinado que o controle de natalidade é absolutamente essencial, que o aborto é absolutamente essencial. E eles estão jogando pedras em mim, facas em mim, sapatos em mim; essa foi a minha recompensa.
P: Em lugares como a Índia e talvez a América do Sul, países oprimidos, deveria haver uma moratória em todos os nascimentos por, digamos, 20 anos?
Osho: Isso é o que eu disse, que deveria haver um total controle da natalidade por 20 ou 30 anos.
Isso é o que eu estava dizendo, que existem duas possibilidades. Uma, os pobres vão desaparecer. Por favor, não os sirvam, tenham compaixão. O seu serviço nãoé compaixão, o seu serviço é a sua ambição pelo céu. Vocês estão usando seres humanos e a sua pobreza para as suas próprias recompensas no céu.
Tenham compaixão. Ou deixem os pobres morrerem ou se vocês realmente tiverem compaixão, então parem com esse desperdício de energia e dinheiro com esforços de guerra e abandonem as fronteiras entre as nações. Façam existir apenas um governo global.
E no momento em que as nações não estiverem aí, a guerra é impossível. 75% do orçamento de todo o mundo podem mudar todo o cenário. Não haverá ninguém que seja pobre. Não existe necessidade para ninguém ser pobre. E se existir umú nico mundo, todos os esforços científicos se tornarão criativos. Agora eles são destrutivos, agora eles apenas preparam a guerra; mas quando não existir nenhuma necessidade de qualquer guerra, todas as mentes científicas darão uma volta de 180 graus. Elas serão criativas. Nós podemos criar tanto que ninguém vai se importar com o paraíso.
P: O que é necessário para isso acontecer? Você é realista o suficiente para
saber que não vai acontecer amanhã.
Osho: Eu não sei. Estou simplesmente dizendo que essas são as duas
alternativas. Ou deixem os pobres morrerem e não façam confusão sobre isso, ou, se estiverem realmente preocupados, então façam com que as nações desapareçam para que não exista necessidade de guerra. E os esforços científicos automaticamente irão na direção de criar mais conforto, mais luxo, mais saúde, vida mais longa. Não estou preocupado com o que acontece, estou apenas dizendo que essas são as únicas duas alternativas. Não existe uma terceira alternativa.
Extraído de The Last Testament, vol. 1
© copyright 1997-2006, CorpoMente - www.corpomente.cjb.net
É permitida a reprodução parcial do conteúdo deste site, desde que citada a fonte.
http://paginas.terra.com.br/saude/corpomente/Osho_discursos/Existe%20solucao.htm
O texto a seguir é um trecho de uma entrevista do Osho a Howard Sattler,
apresentador de rádio australiano. O texto completo está publicado em The Last Testament, volume 1.
P: Você sugeriu que talvez possa ser um homem louco. Eu não acho que você seja louco de maneira alguma mas existem loucos ao redor do mundo que são líderes religiosos e eu lhe pediria que comentasse sobre alguns deles...
Osho: Eu lhe disse que posso ser um homem louco e isso é possível apenas se não estou louco. Posso curtir o ser louco mas não sou louco. Essa é a razão porque posso curtir. O louco se tornou identificado com a sua loucura. Uma coisa é absolutamente certa sobre todo louco: ele jamais vai aceitar que está louco. Os líderes religiosos são as pessoas mais loucas, fanáticas, e apenas por serem loucas, fanáticas, juntam ao seu redor todos os tipos de idiotas.
P: Nações inteiras às vezes...
Osho: Sim... porque a maioria dos seres humanos são retardados.
Cientificamente, a idade mental de um ser humano está abaixo dos 13 anos.
Agora, se a sua idade mental for 13, você pode ter 70 anos de idade mas pode ser explorado, pode ser condicionado por qualquer bobagem. Você pode ser forçado a ter medo do inferno, do qual não existe nenhuma evidência. Você pode ser motivado. A sua ambição pode ser instigada para obter o céu, do qual não existe nenhuma evidência. Você pode ser condicionado a orar para um Deus que é a maior mentira do mundo.
E a surpresa das surpresas é que até mesmo nas suas supremas cortes, onde
existem os melhores juízes, a nata, tem de ser feito um juramento em nome de
Deus. O juramento é verdadeiro em nome da maior mentira! Nenhum daqueles juízes já viu Deus, nenhum daqueles juízes tem qualquer idéia do que seja Deus. Mas está sendo usado. A maioria da humanidade é tão medíocre que pode seguir qualquer louco. O louco apenas tem de ser um pouco metodológico e os loucos religiosos são muito metodológicos. Não existe contradição em ser metodológico.
A metodologia não precisa de inteligência. Agora, qual é a metodologia de
Jesus? - "Eu sou o filho unigênito de Deus." E as pessoas medíocres irão
acreditar nisso porque não acreditar nisso é ir para o inferno e sofrer pela
eternidade. Ninguém quer sofrer pela eternidade. Como é agora, a pessoa já está sofrendo o suficiente - ela quer algum alívio! Mesmo se o alívio vier após a morte, a pessoa quer viver em paz e contente, sem passar fome, sem doença, sem velhice, sem feiúra. Naturalmente, uma metodologia simples - "Eu sou o filho unigênito de Deus, eu posso salvá-lo, eu vim para salvar o mundo todo, aqueles que acreditarem em mim, escolherei para o paraíso, e aqueles que não acreditam em mim vão cair na escuridão abissal do inferno." - uma metodologia muito simples. E os sofredores, os pobres, os famintos, os não educados, os oprimidos, explorados estão prontos para se apegar em qualquer esperança.
P: Por quê?
Osho: Porque não existe nada na vida deles. É tão vazia que, se não existe
esperança para eles, cometerão suicídio. Então, não existe outro caminho. Por
que eles deveriam continuar em frente, se arrastando nas suas vidas vazias?
Apenas para sofrer? Apenas para apanhar, apenas para serem esmagados embaixo das botas das pessoas que estão no poder? A esperança ajuda.
E essa é a metodologia de todas as religiões: dê esperança às pessoas. Mas a
estratégia é muito esperta: mantenha a esperança para além da morte - porque eles sabem perfeitamente bem que a esperança não pode ser preenchida nesta vida senão, então, essas mesmas pessoas que são os seguidores deles os matarão!
Então, mantenha a esperança além da morte. Você nunca pode ser pego. Ninguém volta da morte para dizer que essas pessoas estão mentindo. Assim, elas continuam a mentir e quanto mais uma mentira for repetida, dia após dia, ano após ano, século após século, por milhares de anos... ela quase começa a soar como verdade.
P: Então o Papa é uma fraude?
Osho: Certamente. Absolutamente. Todas as religiões até agora tem sido fraudes.
Elas enganaram as pessoas e por causa disso a humanidade continua a sofrer. Do contrário, nós temos inteligência o suficiente. Se podemos chegar na Lua, você acha que não poderíamos ter alimento suficiente para a humanidade?
P: Talvez estejamos gastando dinheiro demais para alcançar a Lua.
Osho: Isso também é uma tolice. Se você não pode alimentar as pessoas aqui, o que fará na Lua? 75% do orçamento de todas as nações, mesmo das nações pobres, está indo para a construção da guerra por vir. Todo mundo está se aprontando.
P: Ela vai acontecer?
Osho: Se todas estas pessoas estão se aprontando e ficando excitadas sobre
isso, qualquer tolo pode começá-la. O meu esforço é para que ela não aconteça mas a única maneira de prevenir é tornar os seres humanos mais alertas, para que não possam ser explorados por padres e políticos. E isso é o que estou fazendo. Naturalmente, os políticos são contra mim - todos os tipos de políticos. É um milagre: o capitalista é contra mim, o socialista é contra mim, o comunista é contra mim, o fascista é contra mim. É simplesmente um milagre.
P: Mas você é um capitalista aqui, tomando conta de uma comuna.
Osho: Eu não sou capitalista. Uso o capital como um servo. Não é minha
ideologia política. Quero que as pessoas vivam ricamente de todas as maneiras
possíveis. O luxo deveria estar disponível para todos. Eu não quero que as
pessoas se tornem igualmente pobres e chamar isso de comunismo. Eu quero que as pessoas se tornem igualmente ricas e, então, seja lá o nome que você queira dar a isso, pode dar. Os nomes não importam.
P: Esse é o tipo de riqueza disponível para pessoas da, digamos, Índia, o tipo
de pessoas que a Madre Teresa tenta ajudar?
Osho: Essas pessoas como a Madre Teresa, que têm ajudado os pobres por séculos, são, na realidade, a causa da continuidade da pobreza. O pobre não pode ser ajudado da maneira que Madre Teresa está ajudando. Isso não é ajuda. Issoé política porque todos aqueles órfãos que ela ajuda são convertidos em católicos. De fato, a Madre Teresa estaria desempregada se não houvessem órfãos na Índia. Ela precisa de mais órfãos. Essa é a razão pela qual todos eles são contra o controle de natalidade, contra o aborto. Do contrário, de onde você obterá os órfãos? Eles precisam de pessoas pobres porque, sem os pobres, a quem você irá servir? E sem o servir você não pode alcançar o céu. Isso é uma simples estratégia para alcançar o céu.
Agora, imagine um mundo onde ninguém precisa do serviço de ninguém; todos estão felizes, saudáveis, confortáveis, luxuriantes. O que acontecerá aos grandes servidores e santos cristãos? Eles simplesmente estarão desempregados. Eles precisam da pobreza para continuar. Essa é a própria fonte para se tornarem santos, mais sagrados do que você.
Eu não digo ao meu povo, "Vão e sirvam o pobres." Serviço, para mim, não é uma palavra bonita.
Eu digo ao meu povo, "Se vocês tem alguma coisa, compartilhem. Mas lembrem-se de uma coisa: não existe recompensa além disso. Compartilhem, aproveitem - essaé a recompensa. Se você puxa alguém que está se afogando num poço, isso é uma grande alegria. Que recompensa mais você quer? Você salvou uma vida; deveria estar imensamente feliz. A recompensa está no próprio ato e a punição está no próprio ato também. Elas não são extrínsecas, são intrínsecas."
Mas todas estas religiões têm dito às pessoas que a recompensa está distante, em algum lugar - além da morte, e a punição também. Isso não pode ser provado nem pode ser negado; por isso o negócio deles continua sempre em frente e as pessoas medíocres continuam seguindo isso. Se todas essas religiões desaparecessem, duas coisas seriam possíveis: ou os pobres iriam morrer por causa da pobreza... A Etiópia desapareceria. E então? - é melhor a Etiópia desaparecer do que milhares de pessoas ficarem morrendo de fome. E, com a fome, você não morre num dia; um homem pode viver três meses com fome. Ele se tornará apenas um esqueleto e qual é o ponto destes três meses de tortura?
Então, existem duas alternativas se todos estes grandes servidores do povo não interferirem. Ou países como Etiópia, Índia e outros países pobres
desaparecem... Deixe-os desaparecer. Essa Terra não pode lidar com tantas
pessoas.
P: O que você diria para milhões de australianos que doaram comida para etíopes que estão morrendo de fome, morrendo com a guerra?
Osho: Isso não ajuda. Simplesmente vai salvar uns poucos etíopes que irão
produzir mais etíopes.
P: Deveríamos parar de ajudar a Etiópia?
Osho: Deveriam parar completamente porque o mundo precisa de apenas um quarto da população que tem agora. Somente então as pessoas poderão estar em paz, vivendo confortavelmente, alegremente. Não existe necessidade. Qual é a razão?
Tenho estado na Índia por 50 anos e por 50 anos tenho ensinado que o controle de natalidade é absolutamente essencial, que o aborto é absolutamente essencial. E eles estão jogando pedras em mim, facas em mim, sapatos em mim; essa foi a minha recompensa.
P: Em lugares como a Índia e talvez a América do Sul, países oprimidos, deveria haver uma moratória em todos os nascimentos por, digamos, 20 anos?
Osho: Isso é o que eu disse, que deveria haver um total controle da natalidade por 20 ou 30 anos.
Isso é o que eu estava dizendo, que existem duas possibilidades. Uma, os pobres vão desaparecer. Por favor, não os sirvam, tenham compaixão. O seu serviço nãoé compaixão, o seu serviço é a sua ambição pelo céu. Vocês estão usando seres humanos e a sua pobreza para as suas próprias recompensas no céu.
Tenham compaixão. Ou deixem os pobres morrerem ou se vocês realmente tiverem compaixão, então parem com esse desperdício de energia e dinheiro com esforços de guerra e abandonem as fronteiras entre as nações. Façam existir apenas um governo global.
E no momento em que as nações não estiverem aí, a guerra é impossível. 75% do orçamento de todo o mundo podem mudar todo o cenário. Não haverá ninguém que seja pobre. Não existe necessidade para ninguém ser pobre. E se existir umú nico mundo, todos os esforços científicos se tornarão criativos. Agora eles são destrutivos, agora eles apenas preparam a guerra; mas quando não existir nenhuma necessidade de qualquer guerra, todas as mentes científicas darão uma volta de 180 graus. Elas serão criativas. Nós podemos criar tanto que ninguém vai se importar com o paraíso.
P: O que é necessário para isso acontecer? Você é realista o suficiente para
saber que não vai acontecer amanhã.
Osho: Eu não sei. Estou simplesmente dizendo que essas são as duas
alternativas. Ou deixem os pobres morrerem e não façam confusão sobre isso, ou, se estiverem realmente preocupados, então façam com que as nações desapareçam para que não exista necessidade de guerra. E os esforços científicos automaticamente irão na direção de criar mais conforto, mais luxo, mais saúde, vida mais longa. Não estou preocupado com o que acontece, estou apenas dizendo que essas são as únicas duas alternativas. Não existe uma terceira alternativa.
Extraído de The Last Testament, vol. 1
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CAVERNA NO HIMALAIA - OSHO e FUGIR DO MUNDO NÃO VAI AJUDAR - OSHO
CAVERNA NO HIMALAIA - OSHO
Um mestre estava numa região deserta do Himalaia com dois amigos. Entraram em
uma caverna deserta. Era tão bonita que passaram a noite lá. Na manhã seguinte
veio um monge e disse: "Saiam, esta é minha caverna!"
O mestre disse a ele: "Como é possível que esta caverna seja sua? Você não vê
que é uma caverna natural? Você não pode tomar posse dela, você não a construiu.
E você renunciou ao mundo, à sua casa, à sua família, aos seus filhos, seu
dinheiro e tudo mais, e agora está dizendo que esta é sua caverna e que nós
devemos sair? Esta caverna não pertence a ninguém!"
Ele estava muito irritado. Disse: "Vocês não me conhecem! Sou um homem perigoso!
Não vou deixar a caverna para vocês. Tenho vivido nela durante os últimos treze
anos!"
O mestre o provocou o máximo que pode, ele estava cheio de ira, pronto para
matar! Então o mestre virou-se e disse: "Está bem. Nós vamos embora. Estávamos
apenas provocando você para lhe mostrar que treze anos se passaram, mas sua
mente continua a mesma. Agora esta caverna é sua, porque você morou aqui treze
anos. Você não a trouxe consigo quando nasceu e não a levará quando morrer. E
nós não ficaremos aqui para sempre, apenas uma noite. Somos apenas viajantes,
não monges. Vim apenas ver quantas pessoas estúpidas vivem nessa parte do mundo,
e você parece ser a mais estúpida de todas".
Você pode deixar o mundo... mas será o mesmo. Você irá recriar o mesmo mundo,
porque estará levando a planta em sua mente. Não se trata de deixar o mundo, a
questão é mudar a mente, renunciar à mente. É isso que a meditação é.
FUGIR DO MUNDO NÃO VAI AJUDAR - OSHO
Pergunta: Muitas vezes eu desejo ter um lugar seguro e isolado para permitir a
entrega, para meditar várias horas por dia, ir mais fundo sem distração. No meu
entender, a maioria dos mestres de yoga ensinam que é necessário retirar-se do
mundo. Como eu evito a distração de maya (ilusão) antes de ver a realidade
claramente?
A primeira coisa: O ego sempre busca o isolamento, de mil e uma maneiras. Quando
você se torna muito rico, muito poderoso, torna-se isolado. Um Adolf Hitler é
só, mais só do que um yogue no Himalaia. Ele não tem amigos, ninguém igual a
ele; não tem relacionamentos. Um homem muito rico alcança o pico como o
Himalaia, onde está só. Por essa razão, se busca a riqueza, por essa razão se
busca o poder político.
O ego está sempre em busca do isolamento, porque quando você está só, somente o
ego permanece; o ego se torna o mundo todo. Então não existe ninguém para lutar
com o seu ego; não existe ninguém para humilhá-lo; não existe ninguém com quem
você possa se comparar. Você se torna supremo aos seus próprios olhos. Pode
acreditar completamente no seu ego; não haverá distração.
Eu sou contra o isolamento. De fato, você tem de dissolver o ego, não isolá-lo.
Você não deve se tornar uma ilha, independente, separado do todo: você tem de se
tornar uma parte do continente, um com ele. Como você pode se tornar um com a
realidade no isolamento? A realidade precisa de participação, não d
Um mestre estava numa região deserta do Himalaia com dois amigos. Entraram em
uma caverna deserta. Era tão bonita que passaram a noite lá. Na manhã seguinte
veio um monge e disse: "Saiam, esta é minha caverna!"
O mestre disse a ele: "Como é possível que esta caverna seja sua? Você não vê
que é uma caverna natural? Você não pode tomar posse dela, você não a construiu.
E você renunciou ao mundo, à sua casa, à sua família, aos seus filhos, seu
dinheiro e tudo mais, e agora está dizendo que esta é sua caverna e que nós
devemos sair? Esta caverna não pertence a ninguém!"
Ele estava muito irritado. Disse: "Vocês não me conhecem! Sou um homem perigoso!
Não vou deixar a caverna para vocês. Tenho vivido nela durante os últimos treze
anos!"
O mestre o provocou o máximo que pode, ele estava cheio de ira, pronto para
matar! Então o mestre virou-se e disse: "Está bem. Nós vamos embora. Estávamos
apenas provocando você para lhe mostrar que treze anos se passaram, mas sua
mente continua a mesma. Agora esta caverna é sua, porque você morou aqui treze
anos. Você não a trouxe consigo quando nasceu e não a levará quando morrer. E
nós não ficaremos aqui para sempre, apenas uma noite. Somos apenas viajantes,
não monges. Vim apenas ver quantas pessoas estúpidas vivem nessa parte do mundo,
e você parece ser a mais estúpida de todas".
Você pode deixar o mundo... mas será o mesmo. Você irá recriar o mesmo mundo,
porque estará levando a planta em sua mente. Não se trata de deixar o mundo, a
questão é mudar a mente, renunciar à mente. É isso que a meditação é.
FUGIR DO MUNDO NÃO VAI AJUDAR - OSHO
Pergunta: Muitas vezes eu desejo ter um lugar seguro e isolado para permitir a
entrega, para meditar várias horas por dia, ir mais fundo sem distração. No meu
entender, a maioria dos mestres de yoga ensinam que é necessário retirar-se do
mundo. Como eu evito a distração de maya (ilusão) antes de ver a realidade
claramente?
A primeira coisa: O ego sempre busca o isolamento, de mil e uma maneiras. Quando
você se torna muito rico, muito poderoso, torna-se isolado. Um Adolf Hitler é
só, mais só do que um yogue no Himalaia. Ele não tem amigos, ninguém igual a
ele; não tem relacionamentos. Um homem muito rico alcança o pico como o
Himalaia, onde está só. Por essa razão, se busca a riqueza, por essa razão se
busca o poder político.
O ego está sempre em busca do isolamento, porque quando você está só, somente o
ego permanece; o ego se torna o mundo todo. Então não existe ninguém para lutar
com o seu ego; não existe ninguém para humilhá-lo; não existe ninguém com quem
você possa se comparar. Você se torna supremo aos seus próprios olhos. Pode
acreditar completamente no seu ego; não haverá distração.
Eu sou contra o isolamento. De fato, você tem de dissolver o ego, não isolá-lo.
Você não deve se tornar uma ilha, independente, separado do todo: você tem de se
tornar uma parte do continente, um com ele. Como você pode se tornar um com a
realidade no isolamento? A realidade precisa de participação, não d
A MENTE
A mente existe na tensão entre polos opostos. É, na realidade, uma tensão entre contradições. Uma parte diz para fazer isto e a outra fica dizendo continuamente para não fazer. É assim que a mente funciona. Ela existe entre a tese e a antítese e nunca permite que uma síntese aconteça.
Mesmo que você sinta algumas vezes que a síntese aconteceu, esse momento torna-se tese e antítese novamente. Esta é a dialética da mente. Ela tem de criar o oposto continuamente.
Se o oposto não existir, a mente simplesmente não poderá funcionar. É exatamente como dois pedais de uma bicicleta. Um desce, o outro sobe; um sobe, o outro desce. É assim que se mantém o movimento da bicicleta. Uma vez que você compreende isto, tem de saltar fora a despeito da parte que diz não.
O sim nunca será total. Ele tem que aceitar o não e absorvê-lo. E esta é a beleza do sim: ele pode absorver o não também. Então o sim torna-se muito forte. Pense nisto deste modo; se não houver nenhum não em você, mas apenas sim, esse sim será impotente. Ele não terá nenhuma energia, porque não terá nenhum desafio. Se o sim existir apesar do não, então ele será poderoso, haverá energia.
Nunca tente matar o não, do contrário você perderá toda a energia. Perderá todo sabor, todo entusiasmo, toda possibilidade de crescer. (...)
Mas pode-se usar o não para definir o sim. Então ele é belo. (...) O não torna-se o fundo, o escuro, e o sim torna-se a lâmpada, uma chama. O não deixa de estar contra o sim, na verdade, ele realça o sim, dá contraste à vida.
É por isso que à noite as estrelas são tão belas. Durante o dia, elas desaparecem porque há apenas luz e o pano de fundo não existe.
Bhagwan Shree Rajneesh - Osho
http://br.groups.yahoo.com/group/luz/message/27053
Mesmo que você sinta algumas vezes que a síntese aconteceu, esse momento torna-se tese e antítese novamente. Esta é a dialética da mente. Ela tem de criar o oposto continuamente.
Se o oposto não existir, a mente simplesmente não poderá funcionar. É exatamente como dois pedais de uma bicicleta. Um desce, o outro sobe; um sobe, o outro desce. É assim que se mantém o movimento da bicicleta. Uma vez que você compreende isto, tem de saltar fora a despeito da parte que diz não.
O sim nunca será total. Ele tem que aceitar o não e absorvê-lo. E esta é a beleza do sim: ele pode absorver o não também. Então o sim torna-se muito forte. Pense nisto deste modo; se não houver nenhum não em você, mas apenas sim, esse sim será impotente. Ele não terá nenhuma energia, porque não terá nenhum desafio. Se o sim existir apesar do não, então ele será poderoso, haverá energia.
Nunca tente matar o não, do contrário você perderá toda a energia. Perderá todo sabor, todo entusiasmo, toda possibilidade de crescer. (...)
Mas pode-se usar o não para definir o sim. Então ele é belo. (...) O não torna-se o fundo, o escuro, e o sim torna-se a lâmpada, uma chama. O não deixa de estar contra o sim, na verdade, ele realça o sim, dá contraste à vida.
É por isso que à noite as estrelas são tão belas. Durante o dia, elas desaparecem porque há apenas luz e o pano de fundo não existe.
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